O que mais tem impressionado ultimamente na argumentação dos abortistas, por ocasião da votação da Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental 54 (ADPF 54), em juízo no Supremo Tribunal Federal, que pretende declarar lícito o aborto de bebês anencéfalos, é a falácia argumentativa; a cara-de-pau bandida desses canalhas.
Em sua desmesurada desonestidade, os canalhas inimigos da vida humana acusam todos aqueles que defendem a vida desses seres indefesos de estarem fundamentando seus argumentos na dogmática cristã.
A retórica abortista se resume a isso: a ódio anti-religioso. Eles procuram expor os religiosos, cristãos em sua maioria, ao linchamento público, por estarem, segundo eles, impedindo o progresso da ciência, reduzindo-os sempre, na arena de debate, à condição de cidadãos de segunda classe sem direito à palavra.
Entretanto, o que motiva a defesa intransigente da vida dos fetos anencéfalos não é religião. É justamente o fato destas vidas serem vidas de seres humanos inocentes, ressalte-se. Não é preciso recorrer ao dogma de “não matar”, que por sinal não é monopólio da religião cristã, pare reconhecer isso. A disposição de “não matar” pessoas inocentes é um valor universalmente aceito não apenas por muitas religiões, mas por povos inteiros, por estar tal disposição consoante a lei natural. Portanto, para estes canalhas, honestidade intelectual que eles não têm virou sinônimo de religião!
Está na própria Constituição a inviolabilidade do direito à vida, no seu artigo 5º. E por que estaria, se dizem que o Brasil é um Estado Laico? Por que um Estado Laico defenderia a vida humana como um valor tão fundamental? Justamente por ser o direito à vida um valor meta-religioso e não exclusivamente metafísico!
O que nos impede de matar não é por certo a religião. Do contrário, povos pagãos não puniriam o aborto, tal como fizeram há milênios.
Todos os códigos jurídicos, já há mais de quatro mil anos, condenavam o aborto como homicídio. O Código de Hamurabi (1748-1729 a.C.) castiga o aborto, mesmo involuntário ou acidental (§ 209-214). A coletânea das Leis Assírias (séc. XIX-XVIII a.C.) prevê pena terrível para o aborto intencional: a empalação. Entre os persas o aborto era punido com a pena de morte. Entre os hebreus, o historiador Flávio Josefo relata que o aborto é punido com a morte (Hist. dos Ant. Jud. 1, IV, C. VIII).
Na Grécia, as leis de Licurgo e de Solom, e a legislação de Tebas e Mileto consideravam o aborto, crime que devia ser punido.
E se fizeram isso, fizeram porque embora fossem ímpios, maus, não desceram ao nível de maldade desses canalhas da atualidade.
A vida é um valor moral, e basta honestidade intelectual para reconhecer isso, pois se a vida é o maior de nossos bens, todos os demais bens lhe são subsidiários, o que faz da vida um valor sagrado do qual não se pode ser privado arbitrariamente.
Esses canalhas querem abrir um condicionamento vil para se destruir vidas. Em primeiro lugar, inocente algum deve ser morto. Isso não é a religião que fala. É o nosso senso de justiça. Não é justo punir pessoas que não cometeram qualquer crime e só querem nascer.
Mas e matar pessoas que estão fadadas a morrer pouco depois?
E por acaso alguém que nasça sadio está certo que irá viver mais que um anencéfalo? Que garantia existe nisso? Adivinhamos nosso futuro agora? Desse jeito vou apostar na loteria!
Por acaso tornamo-nos senhores absolutos de nossos destinos, ou não seria o contrário?
Todos nós estamos fadados a morrer, seu bando de canalhas assassinos!
Não sabemos quando isso irá acontecer, e não nos cabe julgar sobre a viabilidade de uma vida humana porque não somos deuses para isso. Somos pessoas iguais em carne e osso. Se um feto não nos dá motivo para matá-lo, é porque ele é um igual a nós em seu direito à vida. Não é pelo fato de ele ser defeituoso que devemos fazer isso, tal como um produto defeituoso em uma linha de produção. Isso é afrontar o valor da dignidade humana como fundamento da própria República, fulcrado no artigo 1º da Constituição, rebaixando o ser humano à condição de uma mercadoria defeituosa.
Isso é canalhice e canalhice de marca maior! Isso soa nazista, completamente nazista, por sondar o valor da vida humana por critérios exclusivamente materiais, negando qualquer transcendência do ser humano, e atribuindo maior valor a determinada pessoa de acordo com uma melhor saúde ou compleição física. Soa nazista porque é a primazia do estético em detrimento do ético. E não somos nós que estamos defendendo Deus, são vocês que estão negando-O, na sua maiúscula prepotência! Esta é a diferença. Portanto, para finalizar esse desabafo, não somos nós defensores da vida humana que estamos valendo-se de argumentos religiosos. São os canalhas abortistas que, em sua condição miserável, rezam em uma cartilha de valores hitlerista que despreza absolutamente o valor da vida humana.