sábado, 21 de janeiro de 2012

Mulher que se dizia grávida de quadrigêmeas enganou toda mídia



O advogado Enilson de Castro, que representa a mulher que disse estar grávida de quadrigêmeos em Taubaté, caso que ganhou repercussão nacional nas últimas semanas, admitiu, na última sexta-feira, que a gestação era falsa
. Ainda não foi informado o motivo de Maria Verônica Vieira ter inventado a gravidez. A polícia abriu um inquérito para apurar o caso. Ela, o marido e o médico serão chamados para prestar depoimento.

O caso está sendo apurado para saber se Maria Verônica, que chegou a receber doações de fraldas, berços e roupas, agiu de má fé para lucrar financeiramente. Ela pode responder por falsidade ideológica e estelionato.

Uma funcionária que trabalha na escola infantil de Maria Verônica, que não quis se identificar, contou à TV Vanguarda que recebeu uma ligação de um parente da suposta grávida. "Uma ligação de uma pessoa próxima da Verônica dizendo que não era para ir trabalhar mais, porque descobriram que ela não está grávida e era perigoso abrir a escola".

As portas da escola estavam fechadas. O aposentado Roberto Faria dos Santos, que mora no bairro há 57 anos, viu várias vezes a suposta grávida e disse que do dia para noite ela apareceu com o barrigão.

A reviravolta do caso aconteceu nesta semana, depois que o médico que atendeu Maria Verônica até o fim do ano passado levantou suspeitas sobre a gravidez. Desde então, o casal nunca mais foi visto e não atende às ligações.

A Polícia Civil de Taubaté até agora não conseguiu localizar Verônica. Por duas vezes eles tentaram entregar a intimação. Numa delas, o próprio advogado da mulher não quis receber o documento. (*)

(*) É irrelevante para este blogueiro comentar sobre os supostos crimes que esta pessoa tenha cometido. Duas apenas são as questões relevantes neste caso. Primeiro, frisar como as pessoas dão credibilidade imerecida para os meios de comunicação, quando ao invés de informar, desinformam. Como dizia o profeta, "Maldito o homem que confia em outro homem" (Je 17, 5). Hoje, talvez ele diria, "maldito o homem que não desconfia da mídia". Uma regra básica no íntimo do meu ser é tardar a confiar em certas reportagens das mídias de massa, justamente porque as pessoas que as comandam não são dignas de confiança. Logicamente, nem todas as reportagens são dignas de desconfiança. Não obstante, julgo que eventuais pessoas que prestaram ajuda à falsa gestante estimuladas pela propagação de reportagens dos meios de comunicação não só poderiam como deveriam reclamar "danos morais" dos respectivos meios de comunicação por terem sido vítimas de reportagens no mínimo irresponsáveis. O inciso I do artigo 221 da Constituição diz o que se segue: "Art. 221 - A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios: I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas". O Parágrafo Único do artigo 927 do Código Civil diz: "Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem." Portanto, eis a fundamentação jurídica básica para os eventuais lesados. Uma mídia de massa que veicula reportagem enganando a população, ao invés de cumprir o seu princípio constitucional de informar, desinforma, e ,desta forma, descumpre com suas obrigações constitucionais, podendo lesar seus telespectadores. Ademais, quem assume o múnus de informar - via concessão pública - obviamente deve zelar pela minimização de erros de informações, assumindo então os riscos de poder lesar os direitos de outrem. Desta forma, plenamente aplicável a este caso a teoria da responsabilidade objetiva, com as mídias de massa respondendo pelo fato independentemente de culpa ou dolo. Enfim, liberdade pressupõe responsabilidade! Em segundo lugar, essa mesma mídia de massa acabou vítima do próprio ideário de seus controladores: a luta contra todo o tipo de preconceitos. A reportagem pré-julgou a moça como grávida de 4 gêmeas através apenas de uma observação sumária de seu quadro. No curso dos eventos, provou-se que o preconceito da mídia se mostrou falho, ainda que esta mídia hipocritamente lute contra todo tipo de preconceitos. Obviamente, um discurso totalmente falacioso, pois impossível nos despirmos de pré-julgamentos, que são absolutamente naturais e muitas das vezes inevitáveis. Não neste caso, evidentemente, pois mesmo através de uma observação sumária, notava-se uma barriga completamente esquisita e deformada, com a mulher caminhando sem muitas dificuldades, sem mesmo ter exibido a barriga despida, demonstrando como as mídias de massa não desfrutam de muita credibilidade e são passíveis de veicular grosseira desinformação. Como muito bem acentuado por esta jornalista: "É lamentável ver telejornais, sites de notícias, programas de entrevistas e jornais divulgando o caso de uma "grávida" sem nem ao menos questionar os fatos. Era para os jornalistas se espantarem e questionarem sobre as dificuldades que essa gestante teria, mas nem para isso foram curiosos. Cadê o “faro” e a investigação que o exercício da profissão exigem? Minha gente, como não desconfiar de uma barriga torta, toda desengonçada daquelas! Quando ela sentava subia até quase o pescoço. Como não desconfiar de uma mulher que dizia estar com 36 semanas de gravidez e, no entanto, caminhava com desenvoltura e leveza, que não estava inchada e que não tinha os seios grandes. De uma mulher que não se deixava tocar, que não mostrava a barriga – reações bem suspeitas para grávidas que geralmente tem orgulho de se exibir." É natural que inúmeras vezes pré-julguemos pessoas ou situações como representando verdades concretas, e neste ponto nossos preconceitos costumam ser razoáveis. Não neste caso, onde as mídias de massa exerceram um pré-julgamento totalmente arbitrário, considerando o acima exposto, emprestando à mulher total credibilidade, provavelmente pelo próprio fato em si de ser mulher, dado o feminismo impregnado em tais matérias. Sendo assim, as mídias de massa provaram do próprio veneno: foram vítimas de seus próprios preconceitos.

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