quarta-feira, 2 de maio de 2012

Cardeal afirma que Adão e Eva eram mitos e que ateus podem ir para o céu


O Cardeal George Pell, da Austrália, aceitou manter um debate com o ativista ateu e evolucionista, Richard Dawkins num programa de TV.

Perguntado se ele acreditava na existência de um Jardim do Éden com Adão e Eva, o “Cardeal” disse que isso não era assunto científico, mas um relato mitológico.  Essas foram as suas palavras:

“É uma mitologia sofisticada para tentar explicar o mal e o sofrimento no mundo”.

“Certamente não é uma verdade científica.  E é uma estória religiosa contada para propósitos religiosos”.

Cardeal Pell disse que humanos “provavelmente” desenvolveram-se dos Neandertais, mas que era impossível dizer quando houve um primeiro homem. [1]

De acordo com a doutrina católica, a existência de Adão é um dogma, sem o qual toda a doutrina do pecado original perde seu sentido.

Pio XII afirmou que:

37. Mas, tratando-se de outra hipótese, isto é, a do poligenismo, os filhos da Igreja não gozam da mesma liberdade, pois os fiéis cristãos não podem abraçar a teoria de que depois de Adão tenha havido na terra verdadeiros homens não procedentes do mesmo protoparente por geração natural, ou, ainda, que Adão signifique o conjunto dos primeiros pais; já que não se vê claro de que modo tal afirmação pode harmonizar-se com o que as fontes da verdade revelada e os documentos do magistério da Igreja ensinam acerca do pecado original, que procede do pecado verdadeiramente cometido por um só Adão e que, transmitindo-se a todos os homens pela geração, é próprio de cada um deles.” [grifos meus][2]

Ora, se o pecado é transmitido por geração, não se pode conceber o pecado original sem a existência de Eva, pois para haver as gerações seguintes a Adão, é necessária a existência da primeira mulher com a qual aquelas seriam formadas, ou seja, Eva.  O pecado original é dogma de fé que só se compatibiliza com a existência de Adão e Eva.  Sem Adão e Eva, nada de pecado original.  É uma questão de dedução.  Se você negar Adão e Eva, você nega o pecado original.

O Concílio de Trento anatematiza os negadores do pecado original, ressaltando sua origem singular e transmissão por propagação:

3) Se alguém afirmar que esse pecado de Adão – que é um pela origem e transmitido pela propagação e não pela imitação, mas que é próprio de cada um – se apaga ou por forças humanas ou por outro remédio, que não seja pelos méritos de um único mediador nosso Jesus Cristo, que nos reconciliou com Deus por seu sangue, fazendo-se para nós justiça, santificação e redenção (I Cor 1, 30); ou negar que o mesmo mérito de Jesus Cristo, devidamente conferido pelo sacramento do Batismo na forma da Igreja, é aplicado tanto aos adultos como às crianças – seja excomungado,porque sob o céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos (At 4, 12); daí aquela palavra: Eis o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo (Jo 1, 29); e esta outra:Todos vós que fostes batizados em Cristo, vos vestistes de Jesus Cristo (Gl 3, 27).” (Denzinger nº 1.513) [grifos meus]

O Cardeal foi além.  Afirmou que a evolução era “provavelmente” correta e que os ateus podiam “certamente” ir para o céu. [3]

Além do evolucionismo teísta ser uma aberração, como já consignado alhures, o tal Cardeal nega peremptoriamente o dogma “Fora da Igreja não há salvação” ao afirmar que ateus podem se salvar.

O que ensina a Igreja Católica?

Papa Inocêncio III, Quarto Concílio Lateranense, Constituição 1, 1215, ex cathedra: “Há realmente uma Igreja universal dos fiéis, fora da ninguém se salva, em que Jesus Cristo é tanto sacerdote e sacrifício.”

Papa Bonifácio VIII, Unam Sanctam, 18 de Nov. de 1302, ex cathedra: “Una, santa, católica e apostólica: esta é a Igreja que devemos crer e professar já que é isso o que a ensina a fé. Nesta Igreja cremos com firmeza e com simplicidade testemunhamos. Fora dela não há salvação, nem remissão dos pecados ... Por isso, declaramos, dizemos, definimos e pronunciamos que é absolutamente necessário à salvação de toda criatura humana estar sujeita ao romano pontífice.”

Citando o Concílio de Florença, ele impõe que todos os pagãos, judeus, hereges e cismáticos irão para o inferno:

"Firmemente crê, professa e prega que ninguém que não esteja dentro da Igreja Católica, não somente os pagãos, mas também, judeus, os hereges e os cismáticos, não poderão participar da vida eterna e irão para o fogo eterno que está preparado para o diabo e seus anjos, a não ser que antes de sua morte se uniam a Ela (...)". (Denzinger, 714)

O que dizem os Evangelhos?

"O que crer e for batizado, será salvo; o que, porém, não crer, será condenado" (Marcos XVI, 16).

Fica bem claro aqui que os ateus não podem ser salvos.

Como, então, os ateus irão pro céu, de acordo com este Cardeal Bell?

Logicamente, o tal “Cardeal” só desfruta desta posição privilegiada para dizer quaisquer heresias porque a própria Igreja Católica está sem comando.

Por muito menos, Honório foi condenado como herético.

O Papa Honório reinou desde 625 a 638 D.C. Depois de sua morte, ele foi excomungado e condenado. Seus restos foram espalhados aos ventos. O Papa Honório I foi condenado, não porque ele ensinou heresia, mas porque ele falhou em reprimir a heresia durante seu reinado como papa. Bento XVI causou danos suficientes a ser condenado dez mil vezes mais. Quando o Papa Leão II confirmou o anátema nascido no 6° Concílio Ecumênico contra o Papa Honório, ele nos ensinou que o seu crime nisto consistiu: “Honório não extinguiu o fogo da heresia no seu começo conforme fosse digno para a Autoridade Apostólica fazê-lo, mas, ao contrário, fomentou-a pela sua negligência”.

A propósito, o próprio Bento XVI poderia endossar parte de seu discurso, já que também flerta descaradamente com o evolucionismo.

Enfim, um “Cardeal” destes é só reflexo de uma falsa Igreja comandada por um antipapa herético.

E depois dizem que o sedevacantismo é uma loucura...

Notas:



15 comentários:

  1. Perfeito!

    Estou divulgando e postando a fonte.

    Gratíssimo pelo excelente texto com boas citações.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado, Luciano. Faltou a citação do anátema de Leão II a Honório, que pode ser visualizado no Denzinger nº 563.

      Excluir
  2. Mas o maior mito ainda é o clero atual: uma farsa! Talvez esse clero herético queira ir para o inferno e descobrir que as coisas são bem diferentes do que eles imaginam por lá...

    ResponderExcluir
  3. Por isso que amo quando me chamam de Roberto Cavalcanti!

    ResponderExcluir
  4. Mas que eu saiba, Roberto, a própria Igreja ensina que Deus vai levar em conta a ignorância das pessoas no Dia do Juízo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. "Avmss", ninguém pode alegar desconhecimento da lei natural.

      Excluir
  5. Bom ver integrantes da igreja Católico abrindo as suas mentes e conciliando algo que jamais deveria ser desconciliado : religião e ciência . Por que uma crença deve ser imutável visto que baseia-se em um grande livro que nos leva à inúmeras interpretações ? Que carece ainda da arqueologia e paleontologia para confirmar algumas ideias ? Nem existiria o protestantismo se a Igreja da época abrisse sua mente para debater as possibilidades de novas interpretações . Que mais pessoas da igreja católica como esse cardeal se pronunciem , pois , diferentemente da idade média , hoje podemos opinar se ir para a fogueira . O catolicismo pode ser maravilhoso se todas as opiniões forem analisadas .

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Meu caro, seus chavões de "Idade Média" e "fogueira" atestam a sua superficialidade no trato desta questão. Pra início de conversa, verdades de fé (dogmas) não são multifacetadas. Dogmas não dependem da aquiescência do invidíduo para valer como norma de imperativa obediência. Da mesma forma que dogmas provêm de Deus, é de Deus que se deve extrair seu significado. O protestantismo é desonesto ao defender o livre-exame e livres interpretações, muitas das quais conflitantes, já que subvertem este princípio básico da exegese, pois não é do comunicado que se deve extrair o espírito de uma mensagem, mas do comunicante. Não é ao intérprete que cabe dizer sobre a verdade da mensagem, mas ao autor da mensagem. E o comunicante é Deus, e sua mensagem não é plurívoca, mas unívoca, isto é, tem apenas 1 único significado. E seu comentário é um equívoco, já que defende a transposição do significado da mensagem para o comunicado (intérprete) e não para o comunicante. Nisso está o seu erro grosseiro de afirmar que a "ciência" deve ser intérprete da Bíblia. A ciência jamais pode sê-lo, já que a ciência é um dom limitado e finito, assim como o homem, impassível de interpretar o ilimitado e infinito, que é Deus. Só Deus, e não a ciência, pode interpretar Sua mensagem com autenticidade. O resto é estelionato religioso. O catolicismo não será maravilhoso se trilhar o seu caminho sugerido. Será tão fraudulento quanto qualquer outra seita protestante.

      Excluir
  6. Mas meu Deus do Céu, para que se opere o mistério salvífico, é indiferente por quem ENTROU o pecado original, sendo importante apenas saber PORQUE QUEM ele há-de sair.

    Nenhum dogma é abalado por se dizer que Adão e Eva não existiram literalmente; ainda que se diga que o pecado original é da própria essência humana, desde que se confesse que é por intermédio de JESUS CRISTO que ele será tirado do mundo.

    Os católicos são seguidores de CRISTO, e não de MOISÉS; o Antigo Testamento é dos JUDEUS, aos quais compete a interpretação, inclusive segundo as regras da Kaballah, que indica haver um jogo de palavras oculto nos livros de Moisés, como um CÓDIGO. Então, se o Gênesis (ou Bereshit) é uma mensagem cifrada, muito cuidado se deve tomar antes de se dizer que aquilo é "literal".

    Que há um pecado original, isso a Santa Madre Igreja ensina, e é assunto de FÉ e de MORAL dizer que há o pecado original, que somente é remido por intermédio de CRISTO. Mas não é assunto de FÉ e de MORAL a MATÉRIA FÁTICA em torno da origem desse pecado; ele pode ter sido cometido pelos homens das cavernas, ou ser intrínseco à natureza humana desde o princípio, que isso não abala nem modifica o papel de Salvador de Jesus Cristo.

    Não é assunto de FÉ e de MORAL dizer que o pecado original veio de um homem e uma mulher chamados "Adão" e "Eva", mas apenas que existe um "pecado original", e que nós nos salvamos pelo sacrifício de Cristo. Os Concílios e Papas que fizeram praça da existência literal dessas pessoas (Adão e Eva) ultrapassaram os limites da INFALIBILIDADE, tanto a Papal quanto a Eclesial, para enveredar sobre HISTÓRIA; ora a Igreja não é "infalível" para questões Históricas, assim como não o é para questões CIENTÍFICAS. Os mesmos Concílios e Papas que afirmaram a literalidade da narrativa do Gênesis também condenaram o HELIOCENTRISMO de NICOLAU COPÉRNICO, e todos sabem no que deu a condenação do Papa Urbano VIII contra GALILEU GALILEI.

    A Igreja não é infalível em HISTÓRIA, mesmo a "História Sagrada".

    Quanto à salvação dos ateus, o Cardeal não disse que eles "vão" necessariamente salvar-se, mas que PODEM (no condicional) salvar-se. Está condicionado à vontade de Deus, que pode salvar a quem quiser, por sua exclusiva GRAÇA.

    Os Sacramentos não são "necessários" à salvação, embora a auxiliem; por outro lado, quem recebe os sacramentos em PECADO GRAVE, mesmo católico, e não querendo arrepender-se de coração, de nada se aproveitará. Então, mesmo um católico PODE não se salvar.

    Um ateu PODE salvar-se, em princípio, desde que tenha sido BATIZADO (o que não depende da escolha dele) e que a sua perda de fé se deva a algum vício da inteligência ou desilusão com a religião que não lhe seja imputável a ele mesmo a título de malícia. Não havendo MALÍCIA do ateu ao se tornar ateu, não pode haver condenação.

    Deus, e somente Deus, pode "sondar os corações", e saber POR QUE aquele batizado se tornou ateu. Se não houver CULPA do ateu em se tornar ateu, a sua deserção da igreja não é sequer pecado.

    A rigor, quem pode responder a título de culpa pela perda da fé de muitos são os próprios padres relativistas e simoníacos, que desmoralizam a Igreja com seu mau proceder.

    Jesus disse que antes de escandalizar a uma só criancinha, é melhor amarrar uma pedra de moinho ao pesçoco a atirar-se ao mar; aqueles sacerdotes que escandalizam aos fiéis, levando-os a perder a fé é que responderão pela descrença que instilaram, por sua omissão. Estes agem pior do que o Papa Honório I, que foi LENIENTE com a heresia; os que deixaram de cumprir seu múnus sacerdotal e levaram à queda de terceiros, responderão como se tivessem tentado os fiéis a perder a sua fé.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sr. "Católico" observador que de "católico" nada tem, vamos lhe responder apenas para servir de modo pedagógico aos verdadeiramente católicos observadores. O senhor parace ter saído destes repositórios de heresia que são os seminários do Vaticano II.

      Suas afirmações de que "nenhum dogma é abalado por se dizer que Adão e Eva não existiram literalmente" são heréticas, ou seja, completamente opostas a alguns dos dogmas formulados pelo Concílio de Trento. Cito alguns:

      788. 1) Se alguém não confessar que o primeiro homem Adão, depois de transgredir o preceito de Deus no paraíso, perdeu imediatamente a santidade e a justiça em que havia sido constituído; e que pela sua prevaricação incorreu na ira e indignação de Deus e por isso na morte que Deus antes lhe havia ameaçado, e, com a morte, na escravidão e no poder daquele que depois teve o império da morte (Heb 2, 14), a saber, o demônio; e que Adão por aquela ofensa foi segundo o corpo e a alma mudado para pior – seja excomungado.

      789. 2) Se alguém afirmar que a prevaricação de Adão prejudicou a ele só e não à sua descendência; e que a santidade e justiça recebidas de Deus, e por ele perdidas, as perdeu só para si e não também para nós; ou [disser] que, manchado ele pelo pecado de desobediência, transmitiu a todo o gênero humano somente a morte e as penas do corpo, não porém o mesmo pecado, que é a morte da alma – seja excomungado, porque contradiz o Apóstolo que diz: Por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte e assim a morte passou para todos os homens, no qual todos pecaram. (Rom 5, 12).

      790. 3) Se alguém afirmar que esse pecado de Adão – que é um pela origem e transmitido pela propagação e não pela imitação, mas que é próprio de cada um – se apaga ou por forças humanas ou por outro remédio, que não seja pelos méritos de um único mediador nosso Jesus Cristo, que nos reconciliou com Deus por seu sangue, fazendo-se para nós justiça, santificação e redenção (I Cor 1, 30); ou negar que o mesmo mérito de Jesus Cristo, devidamente conferido pelo sacramento do Batismo na forma da Igreja, é aplicado tanto aos adultos como às crianças – seja excomungado, porque sob o céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos (At 4, 12); daí aquela palavra: Eis o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo (Jo 1, 29); e esta outra: Todos vós que fostes batizados em Cristo, vos vestistes de Jesus Cristo (Gl 3, 27).


      Ora, se o senhor nega que Adão tenha existido [proposição principal], nega-se pela lógica o pecado de adão [proposição acessória]. Uma coisa não se separa da outra. É o mesmo que numa formulação "Deus criou a terra", acreditar na existência da terra (proposição acessória) mas se negar Deus (proposição principal). Enfim, uma questão de lógica elementar.

      Obviamente, o senhor está negando um dogma fundamental da fé católica que é o pecado original, que só veio a lume através de Adão.

      Outra afirmação herética de sua parte é a de que a interpretação do Antigo Testamento pertence aos judeus e não à Igreja. Tal afirmação contradiz os ensinamentos da Igreja, como mostrado a seguir:

      “8. Se alguém ... crer que o Deus da antiga Lei seja diferente daquele dos Evangelhos, seja anátema.” (Papa Anastásio I, I Sínodo de Toledo, 400 DC)

      “A Igreja confessa um só e mesmo Deus como autor do Antigo e do Novo Testamento, isto é, da Lei e dos Profetas e também do Evangelho, porque os Santos do um e do outro Testamento falaram sob inspiração do mesmo Espírito Santo ... A Igreja condena com anátema o delírio dos maniqueus, que admitiam dois princípios primordiais, um das coisas visíveis, o outro das coisas invisíveis, e diziam que um é o Deus do Novo Testamento, outro o do Antigo.” (Papa Eugênio IV, Bula “Cantate Domino”, 04/02/1442)


      Excluir
    2. Ora, através de uma interpretação sistemática com os ensinamentos formulados pelo Concílio de Trento podemos observar que suas afirmações contradizem frontalmente tais a doutrina da Igreja:

      "783. O sacrossanto Concílio Ecumênico e Geral de Trento, reunido legitimamente no Espírito Santo, e com a presidência dos mesmo três legados da Sé Apostólica, tendo sempre isto diante dos olhos que, rejeitados os erros, seja na Igreja conservada a pureza do Evangelho, prometido antes nas Escrituras Santas pelos profetas, o qual Nosso Senhor Jesus Cristo Filho de Deus, primeiramente com sua própria palavra o promulgou e depois, por meio de seus Apóstolos, mandou pregá-lo a toda criatura (Mt 18, 19 s; Mc 16, 15), como fonte de toda a verdade salutar e disciplina dos costumes. Vendo que esta verdade e disciplina estão contidos nos livros escritos e nas tradições orais, que – recebidas ou pelos Apóstolos dos lábios do próprio Cristo, ou dos próprios Apóstolos sob a inspiração do Espírito Santo – chegaram até nós como que entregues de mão em mão, fiéis aos exemplos dos Padres ortodoxos, com igual sentimento de piedade e reverência aceita e venera todos os livros, tanto os do Antigo, como os do Novo Testamento, visto terem ambos o mesmo Deus por autor, bem como as mesmas tradições que se referem tanto à fé como aos costumes, quer sejam só oralmente recebidas de Cristo, quer sejam ditadas pelo Espírito Santo e conservadas por sucessão contínua na Igreja Católica. E para que não surja dúvida a alguém a respeito dos livros que são aceitos pelo mesmo Concílio, resolveu ele ajuntar a este decreto o índice dos Livros Sagrados. São portanto os que a seguir vão enumerados:

      Do Antigo Testamento: os 5 de Moisés, a saber: Gênese, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio; Josué, Juizes, Rute, os quatro dos Reis, os dois do Paralipômenos, o primeiro de Esdras e o segundo, que se chama Neemias; Tobias, Judite, Ester, Job, o Saltério de David com 150 salmos, os Provérbios, o Eclesiastes, o Cântico dos Cânticos, Sabedoria, Eclesiástico, Isaías, Jeremias, com Baruque, Ezequiel, Daniel; os 12 profetas menores, isto é: Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Nahum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias; o primeiro e o segundo dos Macabeus.


      Excluir
    3. Do Novo Testamento: Os quatro Evangelhos: segundo S. Mateus, S. Marcos, S. Lucas e S. João; os Atos dos Apóstolos escritos pelo evangelista S. Lucas; as 14 epístolas de S. Paulo: aos Romanos, duas aos Coríntios, aos Gálatas, aos Efésios, aos Felipenses, aos Colossenses, duas aos Tessalonicenses, duas a Timóteo, a Tito, a Filêmon, aos Hebreus; duas do Apóstolo S. Pedro; três do Apóstolo S. João; uma do Apóstolo S. Tiago; uma do Apóstolo S. Judas; e o Apocalipse de S. João. Se alguém não aceitar como sacros e canônicos esses livros na íntegra com todas as suas partes, como era costume serem lidos na Igreja Católica e como se encontram na edição antiga da Vulgata Latina; e desprezar ciente e premeditadamente as preditas tradições: - seja excomungado.

      (...)

      786. Ademais, para refrear as mentalidades petulantes, decreta que ninguém, fundado na perspicácia própria, em coisas de fé e costumes necessárias à estrutura da doutrina cristã, torcendo a seu talante a Sagrada Escritura, ouse interpretar a mesma Sagrada Escritura contra aquele sentido, que [sempre] manteve e mantém a Santa Madre Igreja, a quem compete julgar sobre o verdadeiro sentido e interpretação das Sagradas Escrituras, ou também [ouse interpretá-la] contra o unânime consenso dos Padres, ainda que as interpretações em tempo algum venham a ser publicadas. Os que se opuserem, sejam denunciados pelos Ordinários e castigados segundo as penas estabelecidas pelo direito. [Seguem uns preceitos sobre a impressão e aprovação dos livros, onde se estabelece entre outras coisas o seguinte:] que para o futuro a Sagrada Escritura, principalmente essa antiga edição da Vulgata, seja publicada do modo mais exato possível; e que a ninguém seja permitido imprimir ou fazer imprimir qualquer livro sobre assuntos sagrados sem o nome do autor, nem vendê-los ou retê-los consigo, se não forem primeiro examinados e aprovados pelo Ordinário…


      Se à Igreja pertence a interpretação das Escrituras, tanto o Antigo quanto o Novo Testamento, não há razão para tal afirmação [herética] de acordo com a qual cabe somente aos judeus interpretarem o Antigo Testamento, muito menos ainda através da doutrina mentirosa da cabala.

      Excluir
    4. Se à Igreja pertence a interpretação das Escrituras, tanto o Antigo quanto o Novo Testamento, não há razão para tal afirmação [herética] de acordo com a qual cabe somente aos judeus interpretarem o Antigo Testamento, muito menos ainda através da doutrina mentirosa da cabala.

      As suas proposições sobre história são modernistas, e foram condenadas na Encíclica Pascendi Dominici Gregis do Papa S. Pio X:

      "Segundo o agnosticismo, a história, bem como a ciência, só trata de fenômenos. Por conseguinte, tanto Deus como qualquer intervenção divina nas causas humanas deve ser relegado para a fé, como de sua exclusiva competência. Se tratar, pois, de uma causa em que intervier duplo elemento, isto é, o divino e o humano, como Cristo, a Igreja, os Sacramentos e coisas semelhantes, devem separar-se e discriminar-se tais elementos, de tal modo que o que é humano passe para a história, o que é divino para a fé. É este o motivo da distinção que soem fazer os modernistas entre um Cristo da história e um Cristo da fé, e uma Igreja da história e uma Igreja da fé, entre Sacramentos da história e Sacramentos da fé, e assim por diante. Em seguida, esse mesmo elemento humano que vemos o historiador tomar para si, tal qual se manifesta nos monumentos, deve ser tido como elevado pela fé, por transfiguração, acima das condições históricas. Convém, portanto, subtrair-lhe de novo os acréscimos feitos pela fé, e restituí-los à mesma fé e à história da fé.

      (...)

      Assim pois, como a história recebe da filosofia as suas conclusões, assim também a crítica, por sua vez, as recebe da história. O crítico, seguindo a pista do historiador, divide todos os documentos em duas partes. Depois de fazer o tríplice corte acima referido, passa todo o restante para a história real, e entrega a outra parte à história da fé, ou noutros termos, à história interna. Os modernistas põem grande empenho em distinguir estas duas histórias; e, note-se bem, contrapõem à história da fé a história real, enquanto real. Daí resulta, como já vimos, um duplo Cristo; um real, e outro que, de fato, nunca existiu, mas pertence à fé; um que viveu em determinado lugar e tempo, outro que se encontra nas piedosas meditações da fé; tal, por exemplo, é o Cristo descrito no Evangelho de São João, o qual Evangelho, pretendem-no os modernistas, do princípio ao fim é mera meditação.

      (...)

      Parece-nos, pois, já estar bem declarado o método histórico dos modernistas. O filósofo abre o caminho; segue-o o historiador; logo após, por seu turno, a crítica interna e textual. E como é próprio da primeira causa comunicar sua virtude às segundas, claro está que tal crítica não é uma qualquer crítica, mas por direito deve chamar-se agnóstica, imanentista, evolucionista; e por isso quem a professa ou dela se utiliza, professa os erros que se contém nela e se põe em oposição com a doutrina católica."

      Excluir
    5. Suas afirmações de que não-católicos, inclusive ateus (!), podem se salvar são heréticas e absurdas. Eu poderia citar uma verdadeira coletânea de proposições da Igreja condenando esta afirmação, mas basta uma para não deixar qualquer sombra desta heresia:

      "A Igreja crê firmemente, confessa e anuncia que 'nenhum dos que estão fora da Igreja católica, não só pagãos, mas também os judeus ou hereges e cismáticos, poderá chegar à vida eterna, mas irão para o fogo eterno 'preparado para o diabo e para os seus anjos' [Mt 25, 41], se antes de morte não tiverem sido a ela reunidos; tão importante a unidade do corpo da Igreja, que só para aqueles que nela perseveram os sacramentos da Igreja trazem a salvação e os jejuns, as outras obras de piedade e os exercícios da milícia cristã podem obter a recompensa eterna. 'Nenhum, por mais esmolas que tenha dado, e mesmo que tenha derramado o sangue pelo nome de Cristo, poderá ser salvo se não permanecer no seio e na unidade da Igreja católica'."

      (Papa Eugênio IV, Concílio de Florença, ex cathedra, Bula "Cantate Domino", 1441)


      O sacramento do batismo não é só necessário, como vimos acima, mas essencial para a salvação. Sem batismo ninguém se salva. Eis então uma condenação incisiva a todas as suas formulações heréticas sobre salvação de ateus e mesmo hereges batizados.

      Por último, a questão da controvérsia heliocentrismo x geocentrismo não é uma questão fechada como parece. É uma questão aberta, mas que não se imiscui com religião. É matéria científica, e algo diferente de suas proposições em matéria de fé.

      Enfim, isso basta para defenestrá-lo daqui...

      Excluir

Reservo-me no direito humano de não publicar asneiras, comentários desrespeitosos e descontextualizados.

Este é um Blog católico e conservador feito para católicos e conservadores. Quem ler o Blog e se desagradar de suas publicações, é simples: não leia o Blog. Se quer contestar as opiniões, que o faça educadamente. Respeitar para ser respeitado é a lição número 1. Do contrário, procure um Blog com o seu perfil ideológico. A Constituição Federal resguarda nossa maneira de pensar:

Art. 5º da Constituição Federal:

IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

(...)

VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

Aos desavisados, aviso:

Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:

Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...